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PORTUGAL-ALGARVE

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Algarve

O Algarve é uma região, sub-região e província tradicional de Portugal continental, sendo a mais meridional entre todas. Coincide perfeitamente com o Distrito de Faro, tendo uma área de 5 412 km² e uma população de 451 005 habitantes 0,06% da população da Europa e 4,27% da população de Portugal, constitui a região turística mais importante de Portugal e uma das mais importantes da Europa. O seu clima temperado mediterrânico, caracterizado por [invernos amenos e curtos e verões longos, quentes e secos, as águas tépidas e calmas que banham a sua costa sul, as suas paisagens naturais, o património histórico e etnográfico e a deliciosa e saudável gastronomia são atributos que atraem milhões de turistas nacionais e estrangeiros todos os anos e que fazem do Algarve a região mais visitada e uma das mais desenvolvidas do país. O Algarve é actualmente a terceira região mais rica de Portugal, a seguir ao Vale do Tejo e à Madeira, com um PIB per capita de 86% da média da União Europeia.

Etimologia

O topónimo Algarve tem origem na expressão árabe que significa "o oeste", "o ocidente". De fato, a expressão completa era "al-Gharb al-Ândalus" nome atribuído ao actual Algarve e ao baixo Alentejo durante o domínio muçulmano, significando "Andaluz Ocidental", pois era a parte ocidental da Andaluzia muçulmana.

Na época romana era denominado Cyneticum Cinético devido ao nome do povo nativo, cynetes ou conii cinetes ou cónios em latim.

História

Época pré-romana

Na época pré-romana era habitado pelos cónios, cúneos ou cinetes, um povo formado por várias tribos de filiação linguística e étnica possivelmente celta ou ibera, cujo território incluía toda a atual região e ainda o sul do atual distrito de Beja. Esse antigo território dos cónios ia da foz do rio Mira à foz do Guadiana, pelo litoral, e da foz do rio Mira passando pela área das nascentes do rio Sado e pelas ribeiras de Terges e de Cobres até à confluência desta última com o Guadiana e descendo pela margem direita ou oeste desse rio novamente até à sua foz, pelo interior, abrangendo assim toda a área da Serra do Caldeirão também denominada Serra de Mu e seu planalto. É possível que fossem relacionados com os tartessos povo cuja filiação linguística e étnica também ainda não está plenamente conhecida ou determinada, mas não eram o mesmo povo, tal como diversos autores da Antiguidade clássica, por exemplo, Estrabão e Plínio, o Velho, afirmavam.

Devido ao nome do povo nativo, conii ou cynetes cónios ou cinetes em latim, o Algarve, na época romana, era denominado Cyneticum Cinético.O território deste povo situava-se muito próximo de uma antiga civilização nativa da Península Ibérica, a de Tartessos que se desenvolveu no oeste da atual Andaluzia, na bacia do rio Guadalquivir antigo Betis. Devido a isso, os cónios foram muito influenciados por esta antiga cultura ou fizeram mesmo parte dessa civilização. Também foram influenciados pelas civilizações mediterrânicas grega, romana, cartaginesa ainda antes da época romana e eram um dos povos culturalmente mais avançados do atual território de Portugal e mesmo da Península Ibérica de então, pois já tinham conhecimento da linguagem escrita, tendo mesmo criado e desenvolvido uma escrita própria, a escrita do sudoeste, que também pode ser designada escrita cónia. Durante séculos, o atual Algarve então denominado Cyneticum foi ponto de passagem para vários povos, incluindo tartessos, fenícios, gregos e cartagineses.

Época romana

Antes da integração definitiva dos cónios no Império Romano, durante o período que vai de cerca de 200 a.C. a 141 a.C. estes estavam sob forte influência romana mas gozavam de elevado grau de autonomia. Devido, em parte, ao relacionamento favorável com os romanos, os cónios haviam tido alguns conflitos com os lusitanos que, sob a liderança de Cauceno Kaukenos, o chefe lusitano anterior a Viriato, tinham conquistado durante algum tempo o seu território, incluindo a capital, Conistorgis de localização ainda desconhecida, num monte a norte de Ossonoba, atual Faro, ou talvez Castro Marim? no ano 153 a.C. Em parte devido a esse conflito com os lusitanos e em parte devido à influência cultural das civilizações mediterrânicas, ao contrário de muitos dos povos pré-romanos de Portugal, foram aliados dos romanos durante algum tempo e não seus adversários, diferindo da atitude de outros povos tais como os lusitanos, os célticos e os galaicos, que foram fortes opositores à [conquista romana.

Apesar disso, um pouco mais tarde, no contexto das guerras lusitânicas, no ano 141 a.C., os cónios revoltaram-se contra os romanos, juntamente com os túrdulos da Betúria também denominados betures, mas foram derrotados por Fábio Máximo Serviliano, procônsul romano, e integrados definitivamente no Império Romano.

Nos séculos que se seguiram, a população nativa cónios foi fortemente romanizada, adotando o latim como língua, e integrada em termos culturais, políticos e económicos na civilização romana e no seu império. O Algarve, então denominado Cyneticum Cinético, fez parte do Império Romano, integrado primeiro na província da Hispânia Ulterior e, mais tarde, na província da Lusitânia, durante mais de 600 anos, desde cerca de 200 a.C. até ao ano 410 d.C., ostentando cidades relevantes tais como Baesuris atual Castro Marim, Balsa próxima de Tavira, Ossonoba atual Faro, Cilpes atual Silves, Lacobriga atual Lagos e Myrtilis atual Mértola pois, nessa época, também pertencia ao Cyneticum.

Durante a época romana, teve um desenvolvimento cultural e económico significativo agricultura, pesca e manufatura, beneficiando muito do facto de ser uma importante região de produção agrícola. Nessa época, a região exportava principalmente azeite e garum um condimento feito a partir de peixe, ambos os produtos eram muito apreciados no Império Romano. A sua localização geográfica também era importante em termos de apoio às rotas de navegação marítima entre os portos romanos do mar Mediterrâneo e os do Oceano Atlântico, na Hispânia, Gália e Britânia. Os rios Guadiana Anas e Arade Aradus serviam de rotas de navegação fluvial de contato com o interior e continuariam a sê-lo durante muitos séculos. Também, em termos de localização geográfica, foi importante o facto da região estar logo a oeste da Bética Bética que corresponde, em grande parte, ao território da atual Andaluzia, uma das províncias cultural e economicamente mais desenvolvidas da Hispânia e do Império Romano região de origem de importantes figuras tais como o erudito e filósofo Séneca, o agrónomo Columela e dos imperadores Trajano e Adriano.

Todos estes factores contribuíram para a prosperidade do Algarve durante muitos séculos. Em termos culturais, a época romana também assistiu à difusão do cristianismo na Hispânia, incluindo a Lusitânia e atual Algarve a partir de meados do século I d.C., mas seria a partir do século IV d.C., com a publicação do Édito de Milão, no ano 313 d.C. pelo imperador Constantino que concedia liberdade de culto aos cristãos, que o cristianismo se difundiria mais e ganharia importância significativa na região com a conversão de muita da população nativa, embora as religiões animistas ou pagãs tenham permanecido durante mais alguns séculos.

Época bárbara

Apesar de ter sido conquistado pelos chamados povos bárbaros vândalos, alanos, suevos e depois visigodos na época ou período das migrações ou invasões bárbaras, a cultura romana e o cristianismo permaneceram. No ano de 552, o atual Algarve foi reconquistado pelo Império Romano do Oriente ou Império Bizantino então governado pelo imperador Justiniano I, aos visigodos, governo esse que durou até 571, quando o rei Leovigildo o conquistou novamente para o Reino Visigótico.

TEXTO WIKIPÉDIA

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TRAJES ALGARVIOS

 

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